quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mawaku os que Não se Endividam!

Sempre que o sol raia
Raia-me a matemática no cérebro
Martelam-me as equações da vida
Com resultados positivos ou negativos…

Sempre que o sol esmurra-se no travesseiro do escuro
Ressuscito-o nas mantas sem conforto
Na nudez de janelas mortas pelo silêncio
Jogando contas no quadro da vigília
Magicadas de soluções sem resultado
No tagarelar silencioso do cérebro
Que mergulho no longo e prolongado silêncio nocturno
À busca de solução da equação da vida

Vasculho o espírito protector
Só me cobra mhamba…
Rogo Deus na cortina de milagres
Só me cobra dízimos…
Chamo a responsabilidade do poder…
Só me entulha de inúmeros e elevadíssimos impostos…
No rio de discursos de possibilidades impossibilitadas

Vou sobrevivendo endividado
No banco do coração
No banco do estômago
No banco do cérebro
No banco de patriotismo -
Onde os juros custam-me sangue e sofrimento
Sem que ninguém me acuda!

Mawaku os que vivem sem dívidas
Que apenas precisam e fazem
Matemáticas para subtrair os meus juros
Nesta vida que em todos os bancos estou endividado
Mawaku, mawaku, mawaku eles…

Estou sufocado desta vida
Mas a saída é continuar endividar-me
Juros chicoteando-me o cérebro
Machucando-me o coração
Roçando-me o estômago
Varrendo-me o orgulho de patriota -
Nas matemáticas feitas pelos outros
Das contribuições sem destinos
De impostos cada vez diversos e altíssimos
Coercivamente colectados pela lei inquestionável…
Mawaku, mawaku, mawaku…

Mesmo que deixe de amar
O banco da solidão me cobrará

Mesmo que deixe de comer
O banco da fome me cobrará

Mesmo que deixe de trabalhar
O banco de desemprego me chicoteará

Mesmo que deixe de estudar
O banco do analfabetismo me sufocará

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Meu SER Penhorado

Nasci pintado do meu ser de ser Eu
Quando me descobriram que não era Eu
Provindo de um ventre de outras cores
Mesmo na mesma floresta humana

Vasculhei os passos do meu ser
Nos arbustos de identidade humana
Onde sopram ventos do mesmo ser
Brilham cores de todas belezas
Desfilam as gramáticas de toda humanidade
Onde me encontro perdido
Talvez sem identidade, não importa
Talvez sem cor, não interessa
Ridicularizado e humilhado
Escravizado e explorado…
Coisas dos gulosos e predadores

Sei apenas que sou ser humano
Nascido de um ventre
Não interessa se é do Norte
Se é do Sul, Este ou Oeste
Se é da África ou da Ásia
Se é da América ou da Europa
Ou doutras e outras partes

Encontro-me na mesma espécie
Onde identificamo-nos pelo mesmo código
O código de fala ou de gestos
Mesmo que as gramáticas sejam diferentes
As necessidades são as mesmas
Nesta teia de aranha que interliga-nos
Na magna floresta humana
Onde construímos os nossos relacionamentos

Serei diferente dos outros?
Não!
A espécie humana é a mesma
Que se encontra no Norte ou no Sul
No Oeste ou no Este
Na África ou na Ásia
Na América ou na Europa
Ou em outras e outras partes

Embora com gramáticas diferentes
Somos todos humanos
Dependemos do mesmo oxigénio
Embora tenhamos gulosos
E predadores da mesma espécie
Somos todos humanos
Seres humanos
Com faculdades de pensar e agir

Não importa se somos pretos ou amarelos
Azuis ou vermelhos
Brancos ou rosas
Não importam as nossas crenças
Todos construímos e reconstruímos a ciência

Povoamos e repovoamos a nossa espécie…
Com o mesmo poder de espermatozóides
Ninguém ejacula de ouro ou de prata
De diamante ou de bronze
Todo ventre fecunda o que gera a minha identidade

Que me resta?
Salvar-me dos gulosos e de predadores
No combate às injustiças sociais
Às imposições de exploração e escravidão
Do neocolonialismo…
Construir a minha própria economia
No dia em que saberei melhor gerir a coisa pública

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Poetando-me poeta

Redescubro-me na sombra do silêncio
Na maca da solidão marchante
Coroada de coágulos de dor dolorida
Nesta melancolia de vomitar o sofrimento
Que pinta artisticamente este caqui
No contraste da balalaica que me aquece avidamente

Dor é sentir a dor
Sorriso é deixar a dor falar
Felicidade é compreender a fala da dor
Entre amar e ser amado

Ou entre governar e ser governado
Nesta vasta floresta da humanidade
Em que o predador do Homem
É o outro Homem jazido na sombra da sociedade
Onde poeto-me poeta

sábado, 22 de maio de 2010

Feliz dia do trabalhador??!!

Trabucas trabalhador
Operário operando miséria
Com veias endurecidas de labor
Em troca de salário?
Que compra nada de cabaz
Que crianças até aprendem a phandar…

Matutas-te a cabeça
Operando operário miserável
Na miséria sem protecção condigna
Da lei labor que de sua força ergue poder
Economicamente económico poderoso
Patrão que te discursa severo…

Matutas operário
Trabucas trabalhador
O muchine das veias precisa arrancar
No trabuco sem horas…
No recheio de paleios seus agasalho e alimento
Nesta camuflada escravatura
Sofisticada de técnicas de opressão…

Vá, ergues-te escravo
Destilas seu suor no alambique da opressão
Que patrão ergue sua vaidosa riqueza
No conforto de escravizar-te
Continuamente empregado desempregado
Com salário que te chega aos centavos…
Vezes atrasadíssimo
E porque não vezes sem nada
Açambarcado no vulto de impostos…??!!

1/5/10

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Quando ser outro dia

Será o dia a mudar
A hora o minuto a marcharem
A temperatura temperando-se
No temperamento de frio ou de calor

Tudo em marcha marchando
Neste esburacado asfalte da modernidade
Que moderniza as mentes, os corpos,
Os sentimentos, enfim, as relações sociais
E porque não comerciais, políticas, religiosas…??!!

Eu serei a luz desse dia
Firme e presente
Como as ondas do mar
Na escravatura do meu juramento
De fazer-te sempre feliz
No tempero moderado de sentimentos
Mesmo quando ser outro dia…

sábado, 24 de abril de 2010

Nostalgia e Inverno

Trepo as escadas da tua ausência
Do edifício erguido de amor
Pintada rupestremente de felicidade
Entre cores de fidelidade, carinho, compreensão…

Lá encontro uma bandeja repleta de nostalgia
Neste tempo ameno de Inverno
Em que as acácias ficam nuas
E o corpo humano procura mais agasalhos

O meu agasalho és tu
Não apenas para este Inverno vaidoso
Mas sempre imprescindível
Para manter viva as cores
Do belo edifício erguido de amor…

Vou-te esperar tocando amavelmente
O assobio arrepiante nostálgico
Trepando as escadas da tua ausência
Neste inverno vaidoso
Em que a minha vaidade
É agasalhar-me de saudades tuas…

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Óscares pela Humanidade

Sou actor da minha própria extinção
Nesta longa-metragem
Distinguida pelas qualidades técnicas
Bárbaras de encenação industrial
Galardoada com medalha sangrenta
No salão de Óscares da humanidade

O trilho sonoro rola no meu filme
Embarca do Pacífico
Do Índico
Do Atlântico
Do Glacial Antárctico
Do Glacial Árctico
Com veemência melódica
Dos gritos das vítimas presas
No episódio do espectáculo demolidor

O protagonista é a minha mente
A acção a minha força
A vitória a minha tristeza
Dos abrigos varridos
Da minha brava encenação industrial
Desde o Atlântico ao Índico
Do Pacífico aos Glaciais Antárctico e Árctico
Na festa dos Óscares demolidores
Com melodias de gritos desafinados
Onde espectadores alguns dançam nus
Ao relento sem abrigos
Ou talvez apertados dos escombros que restam

De corpo erguido e agasalhado
De mente lúcida e equipada
Dentre muitas luzes acesas
Em enciclopédias jazidas empoeiradas em bibliotecas
Sigo o meu caminho ignorante
Que me torna actor protagonista
Deste filme de longa-metragem
Distinguida pelas qualidades técnicas
De encenação bárbara industrial
Galardoada com medalha sangrenta
No salão de Óscares pela humanidade