sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Perambulando

Salgo os passos na terapia da distância
Que dista o destino nostálgico doutra parte distante
Na distância apenas presente na distância de pensamento
Que resmunga-se na magia mágica de sexos opostos

Perambulo a mágica distância do nosso juramento
Na estrada alcatroada de firmeza coração
Dentro do veículo amor recíproco
Que continuas distante de mim

Mas eu
Viajo contigo passageira amorada
Dedilhando o sabor da magia presente de felicidade
No palco da fidelidade fiel da distância distante neste presente
Do real destino que salgo os passos na terapia da distância…
Á busca do ingrediente que faz de nós
Perambular a nostalgia do nosso ser…

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Defuntos da Minha Terra

Fecha-se a cortina da vida
Na festança de gritos da dor dilacerante
Em que deuses chamam a alma ao céu
O corpo esperado pela terra esfomeada
E o espírito de regresso vivo aos olhos dos que restam
Que navegam em ondas bravas de lágrimas doloridas
Na penumbra melancólica de ressuscitar o defunto da minha terra

Na minha terra
Defuntos voam no voo do avião
Ou na boleia do rasgar das quatro rodas
Despedaçando milhar de quilómetros
Atrás da terra que lhes viu nascer
Apenas para serem feitos estrumes…
Na longa distância dos que restam
E dessa campa cimentada pelo abandono…

E na fúria de abandono
Destapam a manta da urna
Violam a corrente da morte
E invadem a privacidade dos vivos
Que se tornam escravos escravizados
Pelos defuntos da minha terra

Na minha terra
Defuntos vivem em mansões
Agasalham-se em sedas e veludos
Nas cerimoniais em que os vivos
Engrossam -lhes de sangue de animais…
Empanturra-lhes de xima e carnes…
De fumaças tabagistas
Em reconciliações recomendas pelos juízes ossículos
Na tremenda convivência entre os vivos e os mortos

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Eu

Sou o epicentro das atenções
Mas somente nas vésperas da grande festa
Todos falam bonito de mim
Constroem-me abrigo na ciência das palavras
Enchem-me a pança de ingredientes de ilusão

Eu
Sou o epicentro das atenções
O anzol caça-me veemente
Em águas das avenidas e ruas
E até dos becos do subúrbio e do rural
Por onde pouso a minha pobre pobreza empobrecida

Tudo está lindo no papel
Soa aparente realidade nos meus ouvidos
Mas é apenas uma realidade ávida e volúvel
Carregada de letras embrulhadas pela astúcia
Na eloquência das palavras esculpidas
Somente para pescarem-me a tinta
Para legitimar-lhes…

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Dor de um Condenado...

Que me beneficia ser honesto
Se a própria autoridade não escolhe
Entre os honestos e os delinquentes?

Os calabouços engolem os honestos
E as leis absorvem os delinquentes
Que gozam de imunidades…
Na marcha sangrenta fogosa
Que prospera pobreza aos pobres inocentes
E prospera prosperidade aos delinquentes criminosos…

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Festejo de resultados…

Na planície do poder conquistado…
Alguns dançavam convictos que a barriga continuaria empanturrada
E com bolsos pesados de sangue e suor do povo
Rasgavam gargantas de entusiasmo de vida a continuar


Mas outros, apenas convictos emocionalmente…
Com incertezas de um amanhã diferente de ontem (?) …
Aplaudiam aplausos melancólicos…

E outros ainda, inconformados com os resultados resultantes
Afiavam os dentes de raiva
Grulhando sarcasticamente de raiva
Mas nada para mastigar e engolir
Senão ameaças ameaçadas da crise mental…

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Minha Panela

Fogo seu companheiro sente sua falta
Já não cantas a melodia amiga do estômago
Estás triste na esquina da casa
Nem côdea tens para assegurar-te
Que até as galinhas chutam-te aos pontapés

Só conservas a tua cor negra
Cor que também pinta as panças dos petizes
Que morrem de ódio odiosa
Quando o borralho lhes pinta o rosto e os pés pálidos
Que só você os tapa nas manhãs soprantes de alegria
Na fervura fervorosa de suas tripas
Que já são os amigos do fogo da tua fervura

Ah, minha panela
Esquinada no vazio sem alimento
Como o vazio das tripas dos petizes
Que rasgam distâncias nas florestas
Soltando os olhos á busca de um fruto silvestre…
Quando voltarás ao fogo seu companheiro
Para cimentar as tripas dos petizes
Por um verdadeiro cimento do estômago?

Criança

Jóia de quem a nasce
Que sua luz brilha para todos
Até nos corações fervorosos de ácido
E nos jazigos da penumbra de homens sem corações

Criança
Se és jóia de quem a nasceu-te
Todos somos chamados a polir-te carinhosamente
Na presença e na distância de amizades
Com dignidade e amor
Para manter a sua chama acesa
Que é o orgulho da Humanidade

Pois tu, criança
És a continuidade desta espécie
Que te nasce e atira-te na drenagem
Que te nasce e guilhotina-te misteriosamente
Que te nasce e vende-te…
Que te nasce e abandona-te inocentemente…
Que te nasce e escraviza-te…
Que te nasce e incinera-te no cativeiro…
Vestindo-te de vestuário de sofrimento
Na sofrida ceia sem alimento
Sem abrigo e amparo de quem a nasceu-te

Criança, criança, criança…
Minhas lágrimas inundam este mundo perverso
Visto a tua dor e sofrimento
Engulo a tua escravidão e tristeza
E decalco os passos da tua nudez
Neste grito que ninguém me ouve…